Workshops e Oficinas

A Dança da Essência: Explorando o Corpo,
a Emoção e a Transformação no Butoh.

Workshops de Butoh

Experiência Imersiva em Movimento e Expressão

As oficinas de butô são imersões sensoriais que exploram a expressão do corpo em sua essência, transcendendo movimentos convencionais para revelar emoções profundas e estados de transformação. 

Nossos workshops oferecem uma vivência única do butoh, realizada em eventos, festivais de arte, escolas, companhias e grupos especializados, além de cursos programados em diversas localidades. Cada encontro é uma oportunidade de explorar a profundidade do corpo em movimento, transcendendo limites e acessando novas formas de expressão. Também levamos essa experiência aos espaços onde o Ogawa Butoh Center se apresenta, conectando arte, presença e transformação em cada sessão.

Os workshops de Butoh, até a realização do 1º Taxon Butoh em 1997, eram realizados em São Simão-SP. Usávamos o conceito de um “Butoh Camp”, onde os alunos ficavam hospedados em uma fazenda durante o período de uma semana, onde os mesmos além de participarem das aulas diárias, coloboravam com a manutenção do local, executando as tarefas do dia a dia como a limpeza e a alimentação.

Utilizávamos vários locais para aulas, leituras e vivências, como o Rio Tamanduá que ficava há 3 km da Fazenda Nsa Sra das Mercês (a fazenda foi totalmente demolida e hoje é um canavial).

Quando não mais pudemos utilizar a fazenda, passamos a utilizar o hotel para hospedagem e as aulas passaram a ser na sede Social do Recreasta Clube no centro da cidade.

Posteriormente passou a ser realizado em diversas cidades e países, abrangendo festivais, escolas e companhias de dança. No Brasil, destacam-se várias edições em cidades como São Paulo, Campinas, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Rio de Janeiro, Diadema, Parnaíba-PI, São Carlos, Presidente Prudente, São Luís-MA e Piracicaba. Internacionalmente, os workshops ocorreram em Sydney (Austrália), Tlahuac e Cidade do México (México), Guanajuato (México), Paso de Los Libres e Resistencia (Argentina), Formosa (Argentina), Quito e Guayaquil (Equador), Bangkok (Tailândia), Kuala Lumpur (Malásia).

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Tatsumi Hijikata(09 de março de 1928 – 21 de janeiro de 1986), criou e desenvolveu ações teatrais, performáticas, na década de 40, quando o Japão do pós-guerra sofria uma invasão cultural por parte do ocidente. Foi nos bares, casas noturnas, cabarés e pelas ruas do underground de Tóquio que Hijikata deu início a que nos anos sessenta, essa forma marginal de expressão, como era considerada, se tornara chamada de Ankoku Butoh, a dança da escuridão. Hoje simplesmente Butoh.
Kazuo Ohno (27 de outubro de 1906 – 1 de junho de 2010) nasceu em Hakodate, Hokkaido-Japão, partiu para o caminho da dança quando em 1929 viu pela primeira vez, em Tóquio, a bailarina espanhola, nascida na Argentina, Antônia Mercé (La Argentina) que o envolveu por completo, dando-lhe o primeiro calor do renascimento da dança espanhola, e impulsionou Ohno a estudar a moderna técnica de dança de Mary Wigman, coreógrafa expressionista alemã.
A forma de expressão nascida literalmente na sarjeta, retomou antigas tradições do Japão, técnicas de dança ocidental e, antes de tudo, a ideia quase esquecida de que o dançarino não dança para si, mas para reviver algo muito maior.
De acordo com as palavras do próprio Ohno, “Butoh é uma das formas mais inebriantes de dança contemporânea, única no Japão. Expressa tantas ideias diferentes ao mesmo tempo que é impossível defini-la. Ela apenas colide e surpreende”.

Ohno busca no inconsciente de cada homem, oriental ou não, a beleza e a decrepitude, a simplicidade e a complexidade, o cômico e o trágico.
Da mobilidade e/ou imobilidade das extremidades corporais, que os braços, as pernas, o tronco, o pescoço, a cabeça tomam as ações performáticas para mergulhar na viagem corporal que leva à poesia.
Os dançarinos de Butoh usam poucas vestimentas, para eles a roupa veste o corpo e o corpo a alma. E é através da alma, das emoções, da existência de cada um é que são criadas as sequências os gestos que o Butoh se forma. A maquiagem melancólica, a cor branca em todo o corpo, faz com que os músculos sejam realçados, e as formas expressivas delineadas em movimentos essenciais, sejam valorizadas pela ausência de pelos.
O Butoh recupera a vitalidade e a força do corpo, de um corpo domesticado para as atividades cotidianas e espremido pelas regras estabelecidas. O desenho de cada gesto é simbólico. Ele estimula ideias, associações e emoções tramando uma visibilidade: as intensidades, os afetos que atravessam os corpos, a música, os movimentos, são expressos através dos gestos. O corpo é o veículo de expressão dos elementos vitais: terra, água, fogo e ar.
Além de Kazuo Ohno que já veio ao Brasil por três vezes (1986, 1992 e 1997), o grupo Sankai Juku, Natsu Nakajima, Anzu Furukawa, Ko Murobushi, Min Tanaka, Carlotta Ikeda e sua Cia. Ariadone, também já vieram se apresentar aqui.
Como a arte também está em evolução, Saburo Teshigawara, difundiu para o ocidente o pós-Butoh, assim como ele o define na coreografia “Dah-dah-sko-dah-dah”.
O alemão Peter Sempel interpretou “Just Visiting this Planet”, filme rodado em dez países (incluindo o Brasil) onde acompanhou Kazuo Ohno, o valor documental combina uma interpretação sensível do universo que este senhor, completou 95 anos em 2001, e ainda encanta o público com suas danças que visam revelar “os caminhos da alma”.
Minha dança é a prece pela vida. O que me faz dançar é o sofrimento que carrego dentro do meu coração. A vida e a morte são inseparáveis, estão dentro de mim enquanto danço, a vida é a oração, a fé e a dança também é a mesma coisa”, define Kazuo Ohno. Quando alguém vai até ele para pedir aulas de dança, a resposta é sempre a mesma: “A dança não se treina. Ela está dentro de cada um de nós. Primeiro você tem que analisar sua vida, quando você entender sua própria existência, sua própria dança” aparecerá.

(Publicado no Jornal Dança Brasil – Por João Butoh)

@Boaz Zippor

Carta butoh

Em 1995, fizemos a estréia nacional do espetáculo “A Rosa de Hiroshima” em Porto Alegre-RS, na Casa de Cultura Mário Quintana. Na oportunidade, oferecemos à Casa, uma oficina de dança butoh, como é de praxe fazermos nos locais de nossas apresentações. (Em 1994, estivemos no mesmo local com o espetáculo “Dusting Powder To You, Elis”, e fizeram oficina na época cerca de 30 pessoas.)
Desta vez, houve uma certa confusão, a respeito ou não da realização da oficina e da liberação do espaço para que a mesma pudesse ser realizada. Em meio aos contratempos, e dos desencontros veículados na mídia, apareceram então duas pessoas para participarem da oficina. Uma destas pessoas, Maria Ximena Ruiz-Tagle, uma chilena que reside em Porto Alegre, após algum tempo da realização da oficina e também finalizada a temporada da “Rosa”, me enviou uma carta.
Esta carta, é uma síntese dos trabalhos realizados nos Taxons Butoh. E é importante trazer ao conhecimento de nossos amigos e associados, porque esta declaração partiu de alguém que participou da oficina e fala das impressões que teve como participante. São declarações como esta, que nos fortalece e nos desperta para a importância e a necessidade da Ogawa na arte de ensinar.

Porto Alegres-RS, Junho,95
João Butoh,
Sua dança alimentou minha alma…,
Onde começa um espetáculo?
Onde começam as emoções?
O dançarino leva sua vida, sua alma, sua mente, com profunda dor; alegrias… e devoção.
Não existe divisão entre você e sua dança, nada começa, nada termina; isto é algo muito precioso: pois reflete “verdade” e “pureza”; muito diferente do teatro, onde as pessoas representam.
O fato de você Ter dado aula para Marcos e eu; reflete também o seu respeito e amor pelo ser humano. Nós dois nos encontramos várias vezes, com um forte desejo de saber sobre dança Butoh. Para mim o seu encontro foi muito importante. As emoções são algo muito delicado; pois se acumulam por milhares de anos na nossa mente; e elas sempre nos surpreendem quando se manifestam; tanto na sua aula como na sua obra; senti um forte desejo de chorar e fiquei “engulindo” para não deixar aparecer aquilo que eu mesma não compreendo.
A “Rosa de Hiroshima” era tudo quanto eu precisava ver, responder a você: “gostei”; era demasiado vago para todo o que eu estava sentindo; o silêncio podia responder melhor naquele momento; inclusive ali no camarim não senti sua apresentação por terminada; pois você sozinho era mais um “quadro” que representa força , não dependência; solidão; luta e finalmente “plenitude” de Ter transcedido os obstáculos. Tudo isso tinha muito a ver com o seu trabalho no palco.
Seu trabalho é perfeito. Agora posso lhe responder:
“Gostei de sua arte”
“Gostei da sua pureza”
“Gostei da sua profundidade”
Gostei de você que é o mesmo.
A gente é tudo e nada também; assim como você nos falava dos contrastes; somos deuses e também o vazio absoluto; mais tudo é mesma coisa; todos os contrastes existem dentro de nós; isto é muito belo e você sabe manifestá-lo.
Eu posso apertar meu choro até sumir dentro de mim; mas não posso tirar “você, sua dança” de minha mente. Eu queria tanto aprender com você não sei como nem quando; mais esse é meu desejo.
Quero lhe contar algumas coisas para você me guiar, entrei em contato com aquele grupo de dança teatro e possivelmente no outro mês tomarei aulas com Eneida.

Nunca fui boa dançarina; fiz faculdade durante 4 anos (no Chile) e minha situação foi muito polêmica; pois alguns professores alegavam que eu não tinha técnica(detesto as coisas mecanizadas) e outros diziam que minha criatividade poderia me levar a fazer muitas outras coisas interessantes no campo da dança; e neste conflito consegui me formar. Vim para o Brasil porque senti que minha pesquisa estaria entre África e Oriente, viví muitos anos na Bahia tentando me aprofundar ao máximo na cultura negra; tive oportunidade de estar na Índia e embora suas danças tão devocionais e delicadas (ao mesmo tempo de muita força) me cativaram, não me completaram; mais logo perto do Tibet; na terra que a Índia doou aos exilados, senti que estava perto; daquilo que me completa; senti vontade de ficar por lá; mas tenho meu marido e filhos que sempre me “acordam” à realidade. O cartão que mando a você é o presente mais especial que poderia lhe dar; pois o guardo como algo “precioso”, um povo sofrido onde fugindo pelos himalaias muitos morrem no caminho, mas eles são fortes, saudáveis; há a certeza que “Deus” parece abrir todos os seus caminhos. Neste quadro esteja talvez o ponto de partida daquilo que eu gostaria algum dia expressar através da dança e a plástica.
Sua dança me completou, você utiliza aqueles “quadros da vida”, a luz, os detalhes, tão sutil como a luz passando pela palha (seu 1º quadro), o rosto oculto……As mãos, nada mais lindo que as mãos para expressar a profundidade contida, vejo as mãos como dançarina em si mesmas; elas tem a capacidade de fazer seu próprio espetáculo, elas parecem se conectar a nosso ser mais íntimo. Você sabe utilizá-las com beleza e originalidade, através delas você pode falar num “som” muito delicado. Parece que sua criação permanece viva na minha mente.
Bom, acho que falei demais; mais porque não lhe disse o que sinto, tenho certeza que seu objetivo (mesmo inconsciênte) esteja muito além de produzir “emoções”
Me mande algumas fotos, eu gosto de olhar suas fotos dançando, me faz bem; me dá certeza do que busco, e me dá também uma certa paz. (Sorry; mas eu tirei sua foto do painel; não fique zangado, ok?) era linda demais para deixá-la ali. Se tiver xerox de material sobre butoh; e tudo quanto você achar interessante pode me mandar. Gostaria também saber sobre cursos contínuos em SP e de preferência sobre seus cursos. Quando tiver aqueles encontros e seminários de dança butoh* (você falou alguma coisa sobre isso) me avisa, gostaria de receber o máximo de informações, e o mais importante. Vai demorar muito para voltar aqui?
Beijos
Ximena.

Este é o cartão que Ximena nos enviou.